despensa
relacionamentos são como comida
abri a embalagem quando te descobri
a amiga de sempre com gosto de conservante
o amor que azedou
aquele conhecido com um sabor
mais amargo que eu nunca gostei
mas certamente alguém por aí há de gostar
a queridinha do povo que você fingiu adorar
só que fez cara feia pra engolir
relacionamentos são como alimento
os melhores a gente sempre quer ter em casa
e se não tem vai pra rua procurar
os muito doces consome com culpa
nos amargos dá uma mordidinha
e passa pra frente
e o seu beijo azedo
acho que a culpa é do prazo de validade
que venceu
discurso
todas as brigas que tivemos
no fundo da minha cabeça
retórica que não viu a prática
e a minha fala acrobática
ficou lá esquecida
e agora navegam sem rumo
pelo fluxo eterno do pensamento
centenas de argumentos
milimetricamente arquitetados
interpretações nunca feitas
respostas nunca dadas
palavras nunca ditas
odeio fios
a estante quase encostada na parede
um monte de fio atrás
da tv, do rádio, do computador, da vida
um miolo cheio de nós
do mesmo jeito que a gente se descreveu um dia
e quando eu puxei pra soltar
sumiu a imagem, ficou a ferida
e numa segunda o nó desatado
os fios separados se encontram na esquina
o cabo que eu tirei da tomada
tenho preguiça
de colocar o braço atrás da estante
pra tentar ligar de volta
alongside
while we walk together,
they say
what matters is not the destination
but the way
the big sleep
All those great plans
ruined
Shelter fade
Shelter made
All those words not spoken
vanished
Self-indulgence
conceived
All the pain
relieved
Dried tears
Softened fears
Laughs disappear
And the darkest hour
of the coldest night
Just preceeded the dawn of a new day